Votos ao Amor Eterno
Assim como as ondas do mar renovam os seus votos a cada vez que beijam a areia — prometendo, batida após batida, que jamais vão parar —, o meu amor por você se renova a cada olhar que pouso sobre ti, carregando sempre a mesma promessa silenciosa: a de nunca deixar de olhar.
Assim como são incontáveis as estrelas que adornam o céu noturno, incontável é o amor que guardo dentro de mim e que é, inteiramente, teu.
Assim como a Terra orbita em volta do Sol — fiel, constante, sem jamais se cansar nem se afastar —, assim será o nosso amor. Orbitarei em volta da tua vida, amando-te com a mesma devoção silenciosa de quem sabe que o seu lugar é ali, e em nenhum outro lugar do mundo.
O Sol empresta o seu brilho à Lua, que, sozinha, não saberia como brilhar. Assim serei eu contigo: darei brilho aos teus dias e às tuas noites, à tua manhã que desponta e à tua noite que recolhe — até que sejas, aos olhos de todos e aos teus próprios, a pessoa mais luminosa do mundo. Porque é assim o verdadeiro amor: dois seres que se tornam, cada um, o sol do outro.
A natureza me ensinou, com a sua doce democracia, a nunca impor — ela sempre me ofereceu caminhos e nunca me obrigou a escolher apenas um. Contigo farei o mesmo: jamais te forçarei a viver somente à minha maneira. Mas lembra-te de que a gravidade não pede licença para existir — é simplesmente natural. O amor verdadeiro também o é. E assim como desafiar a gravidade pode custar a vida, desafiar um amor verdadeiro cobra um preço que nem sempre se consegue pagar.
A democracia é uma dádiva sagrada. Usada com sabedoria, ela não serve ao eu — serve ao nós.
Assim como o leão, rei da savana, usa toda a sua força não para dominar, mas para proteger os que ama — proteger-te-ei, e farás em mim o teu lugar seguro no mundo. Assim como a formiga — pequena, incansável, humilde — menor será o meu orgulho. Assim como o elefante — grandioso, sereno, paciente — maior será a minha humildade. Escolho ouvir-te mais. Escolho falar menos. Escolho-te.
E carregarei, com alegria e sem cansaço, a mais bela das responsabilidades: amar-te, cuidar de ti, proteger-te, fazer-te feliz, apoiar-te, consolar-te — assim como o caracol, que carrega a sua casa nas costas todos os dias da sua existência, sem nunca, nem por um único instante, pensar em largá-la. Porque ela não é um peso. Ela é o seu lar. E tu és o meu.
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Rosário Cangomba — 05 de Novembro de 2016
Actualizado em Setembro, 2026
Dedicado originalmente a Sara Correia

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