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Corrente Literário Realismo


Índice

 



Introdução

O presente trabalho vai abordar acerca do realismo, a literatura do Realismo reflecte a realidade da segunda metade do século XIX nas produções literárias. Os autores desse período procuraram seguir a tendência filosófica do Positivismo, ao observar e analisar a realidade e ao reproduzi-la fielmente. Ao contrário do Romantismo, fase literária anterior, os escritores realistas não expressavam subjectividade na linguagem, assumiram uma postura cientificista em relação aos fatos reais.

Para tanto, os artistas realistas estavam preocupados em apresentar uma realidade mais voltada a contemporaneidade segundo a veracidade dos fatos, diferente da escola literária anterior, o romantismo, em que a idealização, egocentrismo e subjectividade eram as características mais importantes. Desse modo, os realistas representavam a arte a partir de temas relacionados com a realidade focados nos aspectos sociais e quotidianos.
Ainda que a poesia tenha sido explorada pelos escritores realistas, foi na prosa que ela adquire grande valor literário.
Objectivo: definir o realismo voltado ao século XIX a XX e demonstrar os grandes impulsionadores do realismo, suas características e a diferença que existe com o romantismo.





Corrente Literário Realismo

Realismo literário é parte do movimento de arte realista começando com meados da literatura francesa do século XIX (Stendhal), e da literatura russa (Alexander Pushkin) e estendendo-se até o século XIX e início do século XX. Realismo literário, em contraste com o idealismo, tenta representar coisas familiares como elas são.

 Os autores realistas escolheram para representar actividades e experiências quotidianas e banais, em vez de usar uma apresentação romantizada ou semelhante. O realismo é uma abordagem para a arte na qual os sujeitos são retratados em uma maneira tão simples quanto possível, sem idealizá-los e sem seguir as regras da teoria artística formal.

Em sentido amplo, realismo é uma atitude de percepção dos fatos como eles são, sem mistificações. Neste sentido, pode se encontrar realismo em qualquer obra de qualquer época. Como estilo literário, surge na França na segunda metade do século XIX com a publicação de Madame Bovary (1857), de Gustave Flaubert, como oposição ao Romantismo. Surgia a necessidade de retratar o homem em sua totalidade, e não de forma idealizada e sonhadora, como faziam os românticos. A mulher passa a ser mostrada não mais como pura e angelical, mas de como um ser dotado de defeitos e qualidades. Da mesma forma, a figura do herói íntegro e destemido é substituída pela figura de uma pessoa comum, cheia de fraquezas, problemas e incertezas. 

O Contexto Histórico

Na filosofia, o Positivismo, de Augusto Comte, traz a ideia de que apenas o conhecimento oriundo da ciência é válido. Rejeita-se o misticismo na explicação dos fenómenos sociais, que deve ser feita com base na observação e no contacto empírico com as leis que os regem mecanicamente. Ainda o Determinismo, de Hipólito Taine, parte da ideia de que o comportamento do homem é regido por três forças fatalistas: o meio, a genética e o momento histórico. A influência do meio sobre o homem também é acentuada pelo Drawinismo, de Charles Darwin, em que a natureza selecciona os indivíduos mais fortes, eliminando os mais fracos. A política e a sociedade são marcadas pela ascensão das ideias socialistas, surgidas e face das péssimas condições de vida impostas aos trabalhadores como consequência da Revolução Industrial. A exploração do homem pelo homem só seria extinta com o fim do Capitalismo e da classe burguesa.

A influência destas ideais explica a forte presença, no Realismo, da crítica anti-burguesa e do interesse pela análise das tensões sociais urbanas. Destacam-se ainda a crítica à Igreja e seus dogmas e as ideias abolicionistas, trazidas desde o Romantismo com obras de Fagundes Varela e Castro Alves, mas estabelecidas a partir do próprio esclarecimento da sociedade, com o desenvolvimento da imprensa e da literatura.


Características Literárias

1)      Objectivismo (O Não-eu)
 Diferente da obra romântica, centrada na visão particular e subjectiva do autor, a obra realista é centrado no objecto. O autor é como um fotógrafo, que enquadra os fatos como eles são, sem a interferência de suas emoções. O critério adoptado é o da isenção e impessoalidade diante da realidade a ser retratada, o que reflecte na linguagem utilizada, que é directa e clara, possuindo descrições e adjectivações objectivas.
2)      Senso de observação e análise ´

O objecto da obra é submetido à mais criteriosa e minuciosa análise para que se alcance a veracidade na arte. A observação é detalhista e ocorre em dois planos: O externo, que valoriza a descrição das relações sociais e o contacto da personagem com o meio e o interno, cuja análise recai sobre o comportamento íntimo e traços e reacções psicológicas das personagens. Isso também reflecte no tempo da narrativa que é lenta, acompanhando o tempo psicológico.

3)      A arte documental
Enquanto os românticos se permitem à utilização de truques e exageros narrativos, os realistas são documentais, buscam a veracidade das informações. O enfoque das obras são sobe a sociedade contemporânea, o autor aborda os fatos e as circunstâncias que vivencia. Os fatos e fenómenos abordados são aqueles que podem ser explicados afastando-se a fuga metafísica.

4)      Universalismo
O Romantismo é marcado pelo interesse sobre os elementos locais, por influência do próprio nacionalismo. No Realismo, a proposta é documentar aquilo que é perene e universal na condição humana. Autores e Obras Em Portugal, destacam-se na poesia realista Antero de Quental, Cesário Verde, Guerra Junqueiro e outros.

Eça de Queirós é considerado o Ficcionista mais importante da prosa realista portuguesa e suas principais obras foram “O Crime do Padre Amaro”, “O Primo Basílio”, fortemente influenciado por Madame Bovary, e “Os Maias”, que retrata o tema do incesto, lançando diversas críticas à alta sociedade portuguesa, causando escândalo por sua ousadia.
No Brasil, o autor de maior destaque foi Machado de Assis, que revela sua genialidade em romances de profunda reflexão e forte crítica social, sendo um dos raros romancistas brasileiros de destaque internacional, tendo diversas obras traduzidas para outros idiomas. Suas principais obras são: “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, marco inicial do Realismo no Brasil, “Dom Casmurro”, “Quincas Borba”, “Memorial de Aires”, etc.

Outras principais características

  • Oposição aos ideais românticos
  • Retrato fidedigno da realidade
  • Objectivismo e materialismo
  • Universalismo e cientificismo
  • Veracidade e contemporaneidade
  • Linguagem culta, descritiva e detalhada
  • Temas urbanos, sociais e quotidianos
  • Preocupação com o presente
  • Crítica aos valores burgueses
  • Crítica as instituições sociais e a igreja católica
  • Denúncia social (miséria, hipocrisia, exploração, corrupção, etc.)
  • Investigação do comportamento humano
  • Personagens comuns e não idealizados
  • Aprofundamento psicológico das personagens
  • Romances de carácter documental

Movimento ou coerente do realismo

Movimento artístico que surgiu depois da Revolução Francesa, manifestando uma reacção contra o idealismo romântico. Os artistas realistas começaram a criar a partir de sua experiência e baseando-se na observação do mundo que os rodeava. Caracteriza-se por abordar a realidade e temas sociais, representando algumas vezes cenas exageradas, para enfatizar problemas sociais da época. Não produziu um estilo arquitectónico próprio; sua escultura, de pouca expressão, era crítica e social, mas se destacou na pintura com temas da vida quotidiana, de grupos sociais menos favorecidos. O Realismo fundou uma Escola artística que surge no século XIX em reacção ao Romantismo e se desenvolve baseada na observação da realidade, na razão e na ciência.

Além de uma oposição a um realismo fotográfico. O Realismo é um movimento artístico surgido na França, e cuja influência se estendeu a numerosos países europeus. Esta corrente aparece no momento em que ocorrem as primeiras lutas sociais, sendo também objecto de acção contra o capitalismo progressivamente mais dominador. Das influências intelectuais que mais ajudaram no sucesso do Realismo denota-se a reacção contra as excentricidades românticas e contra as suas falsas idealizações da paixão amorosa, bem como um crescente respeito pelo fato empiricamente averiguado, pelas ciências exactas e experimentais e pelo progresso técnico.

A passagem do Romantismo para o Realismo, corresponde uma mudança do belo e ideal para o real e objectivo. O termo realismo, de uma maneira geral, é utilizado na História da Arte para designar representações objectivas, sendo utilizado como sinónimo de naturalismo. Normalmente implica numa não idealização dos objectos representados e numa preferência por temas ligados ao homem comum e à existência quotidiana. Entretanto, em meados do século XIX, Gustave Courbert, com a crença na pintura como uma arte concreta, que deveria ser aplicada ao real, acaba por se tornar o líder de um movimento chamado Realista, juntamente com Édouard Manet. Esse movimento, especialmente forte na França, reagia contra o Romantismo e pregava o fim dos temas ligados ao passado (como temas mitológicos) ou representações religiosas em nome de uma arte centrada na representação do homem da época, em temas sociais e ligados à experiência concreta.

Um dos primeiros pintores considerados realistas é Jean-Baptiste Camille Corot (1796 – 1875) que, com sua pintura de paisagens provocou a admiração de artistas posteriores como Cézanne. Foi um dos pioneiros a considerar os desenhos que realizava ao ar livre como obras acabadas, que não necessitavam dos estúdios. “Ilha de São Bartolomeu” é um exemplo de sua obra.

A origem do realismo

Extremamente importante para o Movimento Realista foi a Escola de Barbizon (Corot era associado a ela), que se propunha observar a natureza “com novos olhos”, seguindo a inspiração do paisagista inglês John Constable, que exibiu suas obras em Paris na década de 20 do século passado o Movimento Realista foi a Escola de Barbizon (Corot era associado a ela), que se propunha observar a natureza “com novos olhos”, seguindo a inspiração do paisagista inglês John Constable, que exibiu suas obras em Paris na década de 20 do século passado. Seu nome deriva-se da reunião de um grupo de pintores na aldeia francesa de Barbizon, floresta de Fontainebleau. Buscava distanciar-se da pintura tradicional, concentrando-se em aspectos da vida quotidiana de homens simples, como os camponeses do local. Jean-François Millet (1814 – 1875) era um de seus principais líderes. Millet foi um dos pioneiros a incluir a representação de figuras entre os objectos que deveriam ser representados de forma realista (o realismo de Corot, por exemplo, restringia-se mais às paisagens). Queria pintar cenas da vida real, sem apelos dramáticos, como atesta sua tela “As Respigadeiras” em que três mulheres não idealizadas, com movimentos lentos, pesados e corpos fortes e robustos trabalham na terra.

Diferentemente do neoclassicismo, quando representava figuras no campo, esse quadro não possui exaltação ou idílio da vida fora da cidade, apesar de valorizar o ato de colheita pelo arranjo e equilíbrio da pintura. Theodore Rousseau (1812 – 1867) e Narcisse-Vergille eram outros nomes de destaque dentro da escola Barbizon, conhecidos por seus trabalhos com as paisagens e estudos de luz e cor que iriam posteriormente influenciar movimentos como os Impressionistas. Gustave Courbet, com sua busca da “verdade” nas representações e sinceridade em suas representações, bem como seu objectivo de “chocar” a burguesia com o rompimento dos padrões estéticos académicos foi outra grande influência para os artistas da época, que se baseavam em seu estilo para realizar suas pinturas. Honoré Daumier (ver caricatura), com suas estampas satíricas, normalmente visando atacar a política de sua época, é outro expoente importante e diferenciado do Movimento Realista.

Nos Estados Unidos, destacam-se Winslow Homer (1836 – 1910), com suas cenas da vida e paisagem americana e as da Guerra Civil e Thomas Eakins, que assimilou o Realismo em seu treinamento em Paris. Chegou mesmo a perder seu posto de professor na Academia de Belas Artes da Pensilvânia por insistir na observação de modelos nus em suas aulas de desenho. Pintura O Realismo surgiu na arte francesa, com o declínio dos estilos neoclássico e romântico. Seus primeiros sinais aparecem em pinturas que mostravam a delicadeza da natureza, como as obras de Camille Corot. Entre as décadas de 1830 e 1840, quatro artistas franceses se instalaram na pequena cidade de Barbizon e formaram um grupo, que ficou conhecido como a Escola de Barbizon. Eram eles: Charles Daubigny, Jules Dupret, Jean François Millet e Théodore Rousseau. Seus quadros eram simples, com pastagens, florestas e cabanas que contrastavam com os estilos anteriores. O primeiro grande pintor da pintura realista foi Gustave Coubert, que surgiu em meados do século XIX. Pintava com tanta precisão que muitas de suas obras foram consideradas como protesto social. Suas pinturas ajudaram a mudar o mundo das artes. Inspirados nos trabalhos de Rembrandt e outros mestres alemães, os realistas achavam que deveriam retratar o que viam ao seu redor. Destacam-se neste estilo Camille Corot Charles Daubigny Jean François Millet Théodore Rousseau Gustave Courbet Escultura Na escultura realista, os escultores preferiam temas contemporâneos, envolvidos muitas vezes em motivos políticos. Substituíram os deuses antigos por novos heróis da vida moderna: pessoas comuns do povo, retratando seus momentos e acções, conseguindo mostrar o significativo do gesto humano.

Arquitectura

Entre 1850 e 1900 surge uma nova tendência estética chamada Realismo. A arquitectura beneficiou-se com o avanço da tecnologia contemporânea. Abriram-se novas perspectivas para os profissionais da arquitectura e engenharia, facilitadas pelo impulso da industrialização e outra realidade para a urbanização das cidades, com o uso dos novos materiais como o vidro, o ferro, o aço, o cimento e principalmente o betão armado. Surgiu a necessidade das novas construções para a modernização das cidades como fábricas, estações ferroviárias, armazéns, bibliotecas, moradias, escolas, hospitais, enfim, tudo que atendesse ao chamamento da nova realidade de vida tanto dos operários quanto da burguesia.

Tendência do realismo

Entre 1850 e 1900 surge nas artes europeias, sobretudo na pintura francesa, uma nova tendência estética chamada Realismo, que se desenvolveu ao lado da crescente industrialização das sociedades, O homem europeu, que tinha aprendido a utilizar o conhecimento científico e a técnica para interpretar e dominar a natureza, convenceu-se de que precisava ser realista, inclusive em suas criações artísticas, deixando de lado as visões subjectivas e emotivas da realidade. Esses novos ideais estéticos manifestaram-se em todas as artes: Pintura Caracteriza-se sobretudo pelo princípio de que o artista deve representar a realidade com a mesma objectividade com que um cientista estuda um fenómeno da natureza. Ao artista não cabe “melhorar” artisticamente a natureza, pois a beleza está na realidade tal qual ela é.

 Sua função é apenas revelar os aspectos mais característicos e expressivos da realidade. Em vista disso, a pintura realista deixou completamente de lado os temas mitológicos, bíblicos, históricos e literários, pois o que importa é a criação a partir de uma realidade imediata e não imaginada. A volta do artista para a representação do real teve uma consequência: sua politização. Isso porque, se a industrialização trouxe um grande desenvolvimento tecnológico, ela provocou também o surgimento de uma grande massa de trabalhadores, vivendo nas cidades em condições precárias e trabalhando em situações desumanas. Surge então a chamada “pintura social”, denunciando as injustiças e as imensas desigualdades entre a miséria dos trabalhadores e a opulência da burguesia. Dentre os representantes da pintura realista podemos apontarem Gustave Courbet (1819-1877) “Moças peneirando trigo” e Édouard Manet (1832-1883) “Olympia”, que desenvolveram tendências diversas. Escultura Não se preocupou com a idealização da realidade, ao contrário, procurou recriar os seres tais como eles são. Além disso, os escultores preferiram os temas contemporâneos, assumindo muitas vezes uma intenção política em suas obras.

Detestava a teatralidade da arte académica. Jean- François Milllet (1814 – 75) está sempre associado a retratos de trabalhadores rurais arando, semeando e colhendo. Nascido de uma família camponesa, disse uma vez que desejava “fazer com que o trivial servisse para exprimir o sublime”. Antes dele, os camponeses eram invariavelmente retratados como estúpidos. Millet lhes deu uma dignidade resoluta.

Características

1. O artista utiliza todo o conhecimento sobre perspectiva para criar a ilusão de espaço, como também a perspectiva aérea, dando uma nova visão da paisagem ou da cena (vista superior aérea).
2. Os volumes são muito bem representados, devido à gradação de cor, de luz e sombra.
3. Há preocupação de representar a textura, a aparência real do objecto (a textura da pele, dos tecidos, da parede, etc.)
4. O desenho e a técnica para representar o corpo humano são perfeitos. 5. Voltados para o desejo de representar a realidade tal e qual ela se apresenta e voltados para temáticas de ordem social e política, os realistas pintam em geral trabalhadores, cenas do quotidiano e da modernidade.

Linguagem

A linguagem no Realismo é mais simples, sem preocupações estéticas exacerbadas, de modo a abranger um público maior.

Realismo – Conceito

1.      Conceituação do realismo na literatura Oposição ao idealismo e ao romantismo, isto é, à idealização e ao subjectivismo que abordam temas desligados da vida comum, a narrativa realista teve como principais características a localização precisa do ambiente, a descrição de costumes e acontecimentos contemporâneos em seus mínimos detalhes, a reprodução da linguagem coloquial, familiar e regional e a busca da objectividade na descrição e análise dos personagens. O romantismo do final do século XVIII e início do XIX, com sua ênfase no individualismo e na exaltação dos sentimentos, era sua antítese. Contudo, a crítica moderna mostrou haver ali certos elementos que prepararam o advento do realismo. Assim, a introdução do concreto na arte, do familiar na linguagem, do documental e do exótico, do método histórico na crítica, foram obra do romantismo. Isso possibilitou que muitos escritores, como Stendhal e Balzac, participassem de ambos os movimentos, com predominância ora da imaginação, ora da observação. Honoré de Balzac foi o grande precursor do realismo literário, com a tentativa de criar um detalhado e enciclopédico retrato da sociedade francesa na obra La Comédie humaine (1834-1837; A comédia humana). Mas a primeira proposta realista deliberada surgiu apenas na década de 1850, inspirada pela pintura de Courbet. O jornalista francês Jules-François-Félix-Husson Champfleury divulgou o trabalho do pintor e transferiu seus conceitos para a literatura em Le Réalisme (1857). No mesmo ano, publicou-se o romance Madame Bovary, de Gustave Flaubert. Retrato implacável da mentalidade burguesa, com seu exame minucioso das emoções de uma mulher infeliz de classe média, é a obra-prima do realismo e responsável pela sedimentação do movimento na literatura europeia.

Os irmãos Jules e Edmond Goncourt, em Germinie Lacerteux (1864) e outros trabalhos, descrevem grande variedade de ambientes, assim como as relações entre as classes sociais. Os princípios do realismo dominaram a literatura européia durante as décadas de 1860 e 1870. Charles Dickens e George Eliot na Inglaterra, Lev Tolstoi e Fiodor Dostoievski na Rússia, e, mais tarde, o jovem Thomas Mann, na Alemanha, todos incorporaram elementos realistas a seus romances. Os representantes do movimento adoptaram uma concepção filosófica inspirada no positivismo e no determinismo científico de sua época e atitudes liberais, republicanas e anticlericais. Como significativo desdobramento, o naturalismo do final do século XIX e início do XX, que teve como principal expoente Émile Zola, levou às últimas consequências e a detalhes íntimos a proposta de representação fiel do quotidiano comum. Na poesia, o realismo encontrou correspondência no parnasianismo, com seu culto da objectividade, da forma impecável, da arte pela arte, tal como foi expressa por Théophile Gautier, Leconte de Lisle e Sully Prudhomme.

2.      Assimilação portuguesa do realismo Em Portugal, o movimento realista é da maior importância pela mudança radical que operou na consciência literária e na mentalidade dos intelectuais. Eclodiu com a chamada Questão Coimbrã, polémica literária que opôs, de um lado, Antero de Quental, Teófilo Braga e a geração de escritores surgida na década de 1860 e, de outro, os representantes da geração anterior. Em 1871, Eça de Queirós proferiu uma conferência denominada “Realismo como nova expressão da arte” e, dois anos depois, publicou o conto “Singularidades duma rapariga loira”, considerado a primeira narrativa realista escrita em português.

A arte nova, para seus principais representantes, devia consistir na observação e experiência, na análise psicológica dos tipos, no esclarecimento dos problemas humanos e sociais, no aperfeiçoamento da literatura, isenta da retórica, da fantasia, da arte pura. Era uma arte revolucionária. O crime do padre Amaro (1875) e O primo Basílio (1876), de Eça de Queirós, consolidaram o realismo português. Em ambos os romances, a descrição minuciosa e a análise psicológica baseada em princípios deterministas, nas ideias da hereditariedade e influência do meio, além da severa crítica de costumes, tomam nítida feição naturalista. Apesar da oposição do público e da crítica, o movimento progrediu com José-Francisco de Trindade Coelho, Fialho de Almeida e Francisco Teixeira de Queirós. Na década de 1890, o realismo, confundido ao naturalismo, perdera muito de sua força. Mais que uma escola literária, o realismo português pode ser considerado um novo sentimento e uma nova atitude, em reacção ao idealismo romântico.

3.      Realismo no Brasil O forte carácter ideológico que permeou o realismo europeu, tanto na pintura como na literatura, não teve correspondente exacto no Brasil. Mais precisamente, foram consideradas realistas as obras brasileiras que, por características anti-românticas, não se enquadravam nas classificações da época e denotavam uma nova estética. Nesse sentido mais amplo, pode-se dizer que traços realistas estiveram presentes em obras anteriores ao surgimento da ficção propriamente brasileira, como no teatro de costumes de Martins Pena e na poesia de Gregório de Matos. Contemporaneamente ao movimento europeu, a estética realista manifestou-se no país com a geração de 1870, especialmente em Recife, com o grupo liderado pelos críticos literários Tobias Barreto e Sílvio Romero, em reacção ao romantismo decadente. Na ficção, a obra de Machado de Assis e Raul Pompéia aprofundou o realismo psicológico, além do ambiental.

O ateneu (1888), de Raul Pompéia, foi romance ousado e surpreendente para sua época, enquanto Memórias póstumas de Brás Cubas (1881), Quincas Borba (1891), Dom Casmurro (1900) e Memorial de Aires (1907), de Machado de Assis, apresentam inovações também do ponto de vista da linguagem e da estrutura formal. O naturalismo de Zola inspirou as obras de Aluízio Azevedo, Inglês de Sousa e Adolfo Caminha. O realismo brasileiro acabou também por provocar uma espécie de tomada de consciência geral em todos os campos do conhecimento, traduzida, inclusive, em participação política activa de numerosos intelectuais, que desde essa época começaram a interessar-se mais objectivamente pelos problemas nacionais e suas soluções. Superado o realismo como escola, permanece a ideia, que lhe é essencial, de aproximar cada vez mais a arte da vida. As tendências contemporâneas prosseguem buscando-a, como o provam tendências estéticas inspiradas no socialismo, na psicanálise e no existencialismo, tais como o realismo socialista, o expressionismo e o nouveau roman.
O realismo no teatro orientou, no final do século XIX, os textos e as montagens no sentido da naturalidade e da reprodução do quotidiano. Henrik Ibsen e August Strindberg na Escandinávia, Anton Tchekhov e Maksim Gorki na Rússia, entre outros, rejeitaram a linguagem poética, a declamação e a dicção artificial e usaram ação e diálogos calcados no comportamento e fala diários. Os cenários retratavam o mais fielmente possível ambientes.








Conclusão

O presente trabalho que abordou acerca do realismo permitiu nos saber que o realismo literário é parte do movimento de arte realista começando com meados da literatura francesa do século XIX (Stendhal), e da literatura russa (Alexander Pushkin) e estendendo-se até o século XIX e início do século XX. Antes de mais nada, vale lembrar que o Realismo foi um movimento artístico e cultural iniciado no século XIX na Europa.
O realismo manifestava se varias formas, além da literatura, o realismo esteve manifestado no teatro, arquitectura, Ao contrário do Romantismo, fase literária anterior, os escritores realistas não expressavam subjectividade na linguagem, assumiram uma postura cientificista em relação aos fatos reais escultura e nas artes plásticas.
Portanto, o realismo é uma forma de demonstrar uma determinada verdade sem exagerar.



Referência bibliográfica

 www.zaapnet.com/www.geocities.com Pág. Visitada no dia 09 de Junho de 2018
www.portaltosabendo.com.br A cessado no dia 09-06-2018
Período literário realismo  https://www.portalsaofrancisco.com.br/periodos-literarios/realismo
Copyright © Portal São Francisco
VILARINHO, Sabrina. "Literatura no Realismo"; Brasil Escola. Disponível em <https://brasilescola.uol.com.br/literatura/literatura-no-realismo.htm>. Acesso em 10 de junho de 2018.



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